terça-feira, 29 de setembro de 2015

Resenhas de Drácula anotado e Lovecrat anotado

Comprei e li as duas obras juntas. Aqui vão as impressões:

Annotated Dracula (Bram Stoker & Leslie Klinger):

Eu já conhecia Leslie Klinger do monumental Sherlock Holmes Anotado, que foi publicado no Brasil em 9 volumes pela Editora Zahar. O autor é um estudioso sherlockiano apaixonado e eu fiz questão de colocar todos os volumes na estante. Essa obra é uma mina de ouro para informações da era vitoriana, além de trazer muitas interpretações alternativas das histórias de Sherlock, que são uma forma interessante de perceber contradições e furos nas histórias (ou, simplesmente, outras maneiras de se interpretar os mesmos acontecimentos). Além disso, os livros são feitos sob a premissa de que Holmes e Watson eram pessoas reais, e que Conan Doyle foi só o agente literário de Watson. Essa ficção inocente dá um sabor especial às discussões das histórias, e ao material complementar.

O Drácula Anotado foi feito depois dessa empreitada, e tudo o que eu disse em relação à obra acima pode ser dito em relação a essa. É visível que Klinger é apaixonado pela Inglaterra vitoriana. E Drácula é um livro com uma extensa bibliografia acadêmica, de onde o autor pôde tirar muita informação para suas notas. A "ficção" de que Drácula é um livro real é feita aqui (de uma maneira um pouco menos isenta do que em Sherlock Holmes, talvez porque o autor não parece ser tão fã de Drácula quanto de Sherlock), o que leva àquelas interpretações alternativas instigantes e reveladoras que citei ali acima. Por mais que eu tenha minhas próprias teorias a respeito de Drácula, o trabalho de Klinger foi tão abrangente e completo que ele adicionou ao invés de me irritar, como eu temia antes de ler o livro. Sabe como é, quando você gosta demais de algo, pode se tornar muito "protetor" do que gosta e ficar chato. Fico feliz de saber que ainda não estou tão chata. xD

Foi um livro quase perfeito para mim, pedindo só um pouquinho a mais de "vozes" e "teorias" diferentes, mas muito prazeroso. Ah, sim, vale a pena dizer que o autor é uma das poucas pessoas que pôde comparar o manuscrito original com a versão impressa do livro, e ele traz muitas informações inéditas para fãs e estudiosos do vampirão mais famoso do mundo.

Uma coisa que eu sei que é problemática para outras pessoas (apesar de não ter me incomodado) é que Klinger colocou tantas notas, mas TANTAS NOTAS que o texto frequentemente tem que ser interrompido por páginas só de notas. Como já estou mais que acostumada com a história e comprei só pelas notas, mesmo, não me incomodou. Além disso, amo textos com notas. Odeio ter que ficar indo ao fim do capítulo ler as notas, como no Sherlock Anotado, e amei o esquema de Drácula Anotado, colocando as notas nas margens. Infelizmente, sou obrigada a concordar que muita gente acha as interrupções do texto irritantes, e seria melhor ter arrumando outra maneira de colocar essas notas sem interromper o fluxo do texto.

No mais, a apresentação é maravilhosa. Vivo reclamando que as edições de Drácula raramente têm uma capa decente, mas a dessa edição é linda. As ilustrações são lindas, tudo é lindo. No início, eu estava receosa de comprar esse livro e ele aparecer traduzido no Brasil logo depois, mas agora, não tenho esse medo. A edição brasileira dificilmente seria tão luxuosa, e como Drácula é a inspiração de Bram & Vlad, uma das minhas maiores empreitadas criativas, então acho que merece esse pequeno "esbanjamento" de minha parte.



Annotated Lovecraft (H. P. Lovecraft & Leslie Klinger):

Eeeeee... Como eu queria dizer tudo o que eu disse acima a respeito de Annotated Lovecraft. A edição é maravilhinda, as ilustrações são lindas, tem menos notas que Drácula Anotado, e portanto o texto flui... E isso é parte do problema.

Em Sherlock Holmes Anotado e em Drácula Anotado, é possível ver paixão. Não é só o número de notas, é também a paixão pela "ficção" de que essas histórias realmente aconteceram, que levam àquele sabor delicioso de "aprender brincando". As especulações a respeito de "quem poderia ser o personagem tal no mundo real" levam o autor a explorar muitas personalidades reais que não foram abordadas pelas obras. Para mim, uma das grandes forças dos outros livros anotados que li do Klinger foi a forte intertextualidade, e o respeito e estima pelo "universo mítico" dos respectivos autores. Eram obras intelectuais, sim, mas com paixão.

O Lovecraft Anotado... não tem muito disso. É um livro muito mais "frio". A "ficção" está lá, mas muito distante. O Klinger faz um monumental dever de casa, traz toneladas de notas históricas maravilhosas, mas eu não consegui ver nesse livro aquela paixão pela obra do autor que existe nos livros anteriores.

A intertextualidade é pífia ou quase nula. Em O Caso de Charles Dexter Ward, por exemplo, há uma quantidade gigante e cansativa (para mim) de notas sobre Providence e as personalidades reais citadas no texto. Mas procure alguma anotação sobre o "universo" de Lovecraft e você se desaponta. Não tem quase nada sobre o elusivo Yog-Sototh, tão mencionado no texto. Nenhuma especulação sobre as "vítimas" de Joseph Curwen. Nenhum comentário sobre as explorações do Dr. Willet. Pelo amor de Deus, o Lovecraft estava piscando tanto quando colocou suas referências a Drácula no texto que só faltou chamar um personagem tal de Alucard e não tem nem uma notazinha reconhecendo isso. Nem. Uma.

Em Nas Montanhas da Loucura, temos lindas notas sobre as expedições antárticas, os aviões e tudo o mais, mas muito pouco sobre as conexões mil entre essa obra e outras. Nenhuma especulação sobre qual poderia ser a "Expedição Starkweather-Moore". Nessa história há mesmo uma nota onde Klinger diz que Lovecraft, em determinado ponto, escreve "pteridófita" quando deveria dizer "pterodáctilo", mas no contexto, tio HP escreveu perfeitamente certo. Ele estava falando de estruturas vegetais nas asas dos aliens, não sobre as asas em si. Uma falta de atenção imperdoável de um anotador tão cuidadoso. Tem outras, mas essa é uma das mais óbvias.

Enquanto não dava pra ler Sherlock Holmes Anotado e Drácula Anotado sem ter ao menos uma nota por página, Lovecraft Anotado tem páginas e páginas de texto sem anotação, sem comentários de personagens recorrentes, sem nada... Deu vontade de pegar minha caneta nanquim e fazer as anotações eu mesma. Ainda não me convenci a não fazer isso. Dane-se "estragar o livro", ele é meu e eu comprei pela informação, não pela beleza.

Enfim, me pareceu uma obra feita quase que com "má vontade", quando se compara com as demais.

Continua sendo uma edição obrigatória para grandes fãs de Lovecraft, e, se eu tivesse a oportunidade, não devolveria, nem pediria o dinheiro de volta. Só fiquei um tiquitinho decepcionada. É como se o melhor chef do mundo convidasse você para um jantar e te levasse no restaurante de outro, que ainda por cima tem uma estrela a menos. OK, a comida vai continuar sendo boa, muito acima do que você normalmente come, mas não dá para evitar a decepção.

Minhas teorias são que (a) reclamaram tanto que Drácula Anotado tinha anotações demais e que a "ficção" do Klinger não era legal, blábláblá, que ele resolveu ser "sério" (o que é um enorme desperdício) ou (b) como Lovecraft está na moda, chegaram um dinheiro no autor pra fazer essa edição anotada e ele pegou o trabalho, mesmo não ligando muito para a obra.

Para mim, é uma afronta pessoal que Lovecraft Anotado tenha mais estrelas na Amazon que Drácula Anotado. Sério, caras, não.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Gatinho carente

Eu estava relendo o manuscrito de O Conservatório e isso aconteceu:

Vampiros são só gatinhos carentes.


Não, não tenho vergonha nenhuma. E sim, sei que o mais provável é que a Cristina lançasse o Diego fora do sofá, mas ela tem um fraco por gatos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A arte de ser do contra

No meu tumblr, escrevi um pequeno texto sobre a questão da representatividade nos quadrinhos que me atrevo a fazer, para servir de introdução ao Manifesto Irradiativo. Aqui, achei de bom tamanho dar um depoimento sobre o que isso significa pra mim na literatura, antes de linkar vocês para ele.

Desde sempre, minha grande preocupação foi que meus protagonistas fossem legais de escrever. E "legais de escrever" para mim sempre foram os personagens que tinham algo de diferente dos outros, e como essa diferença muda bastante (ou, paradoxalmente, não muda absolutamente em nada) a forma como essa pessoa interage com o mundo cotidiano. Se existe um tema que vai aparecer em quase todos os meus escritos mais longos, em todos os meus quadrinhos, é isso. É uma coisa que realmente me dá prazer de explorar. Sendo assim, todo protagonista meu é, por definição, diferente. E eu vou dizer um negócio, isso é delicioso. Alguns estão na minha zona de conforto, outros são um desafio delicioso.

Mas sabe o que é mais delicioso? É depois de tudo, você ver que aquilo que você achava que era alien, que você estava colocando por "diversidade", por "desafio", ou simplesmente, por "diversão", estava ali dentro de você o tempo todo. E é aí que sua própria atitude para com as pessoas "diferentes" muda, porque elas não são diferentes de verdade. Elas podem ter muito em comum com você.

Como é o blog do Conservatório, posso falar sobre os protagonistas dele, a Cristina e o Diego. O que me pus como desafio com a Cristina é que nasceu como uma reação às protagonistas doces e nobres de young-adult. Cristina é mal-humorada, frequentemente mal-educada, é solitária mas não quer fazer amigos, é cética, ateia e tem toda o romantismo de uma batida policial. Muitas dessas características não são só diferentes de mim, elas são o total oposto. Mas não é que eu descobri que escrever a Cristina é delicioso naqueles dias que você acorda de mau humor e quer mais que o mundo se exploda? Foi tão divertido que um pouco da atitude dela foi parar em personagens secundários e várias outras histórias (lalalVladlalaXerémlalala).

Diego? Diego também é uma reação ao interesse romântico todo cheio de pudores e dramas internos. Ele é zoeiro, frequentemente invade o espaço pessoal da mocinha, é extrovertido, convencido e age primeiro para pensar depois. Eu absolutamente não sou extrovertida (embora possa fingir muito bem, se precisar) e não muito fã de... tocar... pessoas... enfim, eu não esperava que escrever Diego seria gostoso como foi.

Eu podia ficar aqui detalhando cada um dos meus cerca 65 protagonistas (ah, não acredita? Pus a planilha no Dropbox. Contemplem.), mas acho que já entenderam o espírito da coisa. E nem estou falando dos secundários, que também recebem muito carinho e onde também aproveito para colocar muita coisa. Basicamente, sabe quando acusam os secundários de serem mais interessantes que o protagonista, porque as pessoas não arriscam com protagonistas? Digamos que não me sinto motivada a escrever uma história a menos que meu protagonista seja um desses secundários legais.

Isso dito, toda vez que vejo gente falando que os personagens principais tem que ser genéricos para o pessoal se identificar (sendo que "genérico" geralmente significa "homem-hétero-cis-branco") e que a luta por representatividade na literatura é "bobagem politicamente correta", eu morro um pouco por dentro. Representatividade significa novos mundos psicológicos para explorar, novas histórias para contar, novas coisas para descobrir sobre o outro e sobre você. Quem, em sã consciência, não está agora mesmo explorando esse mundo todo? Quem, em sã consciência, não está saindo do seu pequeno círculo criativo para contar novas histórias, irradiando para mais longe do que antes?

Agora, sim, acho que estão no estado de espírito certo para ler essa iniciativa bacaníssima dos escritores Jim Anotsu e Alliah, o Manifesto Irradiativo. Assine e irradie. Literatura diversa é literatura fresca, território inexplorado.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Diego e Cristina gravam vídeos de protesto

Não olhem assim pra mim, foi ideia deles.



Playlist do Conservatório

Eu não acredito que esse post era só um rascunho até hoje. Eu jurava que tava publicado. ._.

Enfim. XD Em junho (do ano passado...), montei uma playlist rápida no YouTube com as músicas clássicas que são citadas no Conservatório e fiz esse pequeno guia para leigos das músicas e marromenos as relações delas com o livro.

CLIQUE AQUI PARA IR PARA A PLAYLIST

Prelúdio: Prelúdio de Chopin, No. 12 em G# op. 28 (Presto)
Opus 28 é um conjunto de 24 prelúdios para piano, escritos por Chopin. Um fabricante de pianos encomendou a obra. O mais famoso dos prelúdios é o #15, o prelúdio das Gotas de Chuva (Raindrop Prelude). Escolhi o Presto porque isso significa "muito rápido" e o prelúdio do livro são três cenas rápidas. Esse prelúdio tem o "apelido" de "O Duelo" (dado pelo músico Hans von Bülow) e acho que vocês podem dizer que há alguns duelos implícitos nessas três cenas. E mais não digo.

Parte 1: Sinfonia em C menor

Movimento 1: Beethoven, Piano Sonata No. 8 em C menor, Op. 13 (Adagio cantabile) - Pathetique Sonata

A Patethique é uma das obras mais famosas de Beethoven. Ela tem 3 movimentos, o Grave-Allegro, o Adagio Cantabile e o Rondo. Escolhi o Adagio porque adágios são movimentos lentos, geralmente soando tristes. Esse capítulo serve pra mostrar o lado patético da vida da Cristina: escola chata, meninas chatas falando com ela, a leve sugestão de uma vida amorosa... que não dá em nada.

Movimento 2: Concerto de Vivaldi, "La notte", RV 439 (Largo) - Il sonno

"La notte" (A Noite) é um famoso concerto em flauta do Vivaldi, com 6 movimentos. Os mais famosos são o segundo ("Fantasmi") e o quinto ("Il Sonno"). É uma música ótima de se pôr em histórias de vampiro: tem um nome legal e uma atmosfera bem bacana. A princípio, eu ia usar o nome do concerto como título da história, já que o capítulo todo acontece em uma única noite. No fim, escolhi o movimento "Il sonno", já que as coisas também acontecem em um sonho (além disso, o capítulo é grande, achei que um Largo cairia bem).

Movimento 3: Concerto para violino nº 2 de Paganini (Rondo) - La Campanella

"La Campanella" (a sineta) é uma música daquelas bem chicletes. Nunca me canso dela. Na verdade, ela é o treceiro movimento do Concerto para violino nº 2, e o jeito certo de tocar é com uma sineta marcando as recorrências do rondo. Rondo, se você não sabe, é uma melodia que tem certas partes se repetindo, como um refrão. Esse rondo de que estamos falando é tão chiclete que o Lizst, outro gigante da música, fez uma composição usando essa melodia. Gente Da Música diz que La Campanella tem uma atmosfera cigana, o que a faz perfeita para o capítulo onde Diego é apresentado. Isso e o fato de uma sineta ter um papel importante nesse capítulo. Fora isso, o capítulo tem suas "voltas", como um rondo.

Movimento 4: Quinta sinfonia de Beethoven em C menor (Allegro Con Brio) - Destino

Qualé, gente. É a Quinta Sinfonia. Tã-tã-tãããm. O que mais você quer ouvir sobre ela? Tá, vamos ver.

Algumas pessoas dizem (não é oficial, mas é bem conhecido) que a sinfonia representa "o Destino batendo à porta". Beethoven pensava no tom de C menor como "tempestuoso e heroico". Isso é o que faz essa sinfonia perfeita pro capítulo: é onde o destino bate na porta de Cristina e dó menor é a nota dela. Ela é tempestuosa e heroica... do seu jeito. Escolhi o Allegro porque é o movimento mais famoso e porque "Allegro con brio" significa "rápido e brilhante, com vigor e espírito", e é assim que Diego toca no concerto que acontece no capítulo.

Movimento 5: Serenata de cordas nº 13 em G maior, K. 525, de Mozart (Minueto) - Eine kleine Natchmusik

"Eine kleine Natchmusik" significa "uma pequena serenata" (algumas pessoas traduzem errado como "uma pequena canção noturna" e eu uso esse erro no capítulo). É a música do Diego, usando a nota do Diego, G maior. Você provavelmente conhece o primeiro movimento dessa música, o Allegro. Escolhi o Minueto porque esse nome vem de uma dança, e esse capítulo é um tipo de dança, se você pensar sobre isso.

Parte 2: Ópera em F menor

Os atos da ópera não são nomeados.

Parte 3: Noturno em G maior

Movimento 1: Fantasia sinfônica de Tchaikovsky em homenagem a Shakespeare, Op. 18 (Fantasia de Abertura) - A Tempestade

Essa música é baseada na peça de Shakespeare chamada "A Tempestade", se não ficou claro o bastante. Escolhi essa música porque tem um brainstorm nesse capítulo e porque "fantasia" é uma composição que é quase uma improvisação inspirada. Daqui por diante, não posso explicar muito pra vocês porque essa última parte é cheia de spoilers.

Movimento 2: Quarteto de Cordas de Mozart em B-bemol Maior, K. 458 (Allegro vivace assai) - A caçada

Essa peça é um quarteto dedicado a Haydn (um grande músico que Mozart admirava). A Wikipedia diz que ela é usada em vários filmes. Vou acreditar porque não sou uma fã enorme de filmes. Escolhi essa música porque ela se chama "Caçada". Não falarei mais nada. Peguei o allegro vivace assai porque isso, em música, basicamente significa "muito muito muito muito rápido".

Movimento 3: Quarteto de Cordas de Schubert Nº 14 em D menor (Scherzo) - A Morte e a Donzela

Schubert escreveu essa peça quando estava terminalmente doente e tudo nessa música é sobre a morte se aproximando e o músico se rebelando contra isso. É baseada em um poema chamado "A Morte e a Donzela", de Matthias Claudius. Acho que é bem claro por que essa música está aqui. Sobre o porquê do movimento ser o Scherzo, não digo. Se virem.

Movimento 4: A Valquíria, de Wagner, Ato III (Prelúdio) - A Cavalgada das Valquírias

Experts em música conhecem essa como o prelúdio de um dos atos da famosa ópera de Wagner, A Valquíria. Vocês provavelmente conhecem como a música que toca quando os aviões bombardeiam o Vietnã em Apocalypse Now. Essa música é tão icônica que nunca conheci quem não a tivesse escutado.

Como curiosidade sobre a ópera, A Valquíria é a segunda parte do ciclo do Anel dos Nibelungos, de Wagner. A história de A Valquíria é longa e confusa, mas é basicamente sobre incesto entre gêmeos e uma valquíria rebelde. Sério. Eu não conseguiria inventar isso sozinha.

Vou deixar vocês decidirem por que essa música específica encerra o livro. :evillaugh:

Outras peças

Essas músicas são mencionadas no livro, tocadas pelos personagens, ou só importantes no geral:

Sinfonia No. 9 em D menor de Beethoven, Op. 125 - Quarto Movimento, "Ode à Felicidade"

Também conhecida como "Sinfonia Coral", é uma das maiores obras musicais jamais escritas. O quarto movimento, "Ode à Felicidade", é nada menos que uma das mais famosas músicas de todos os tempos. Sério, o tempo de gravação em um CD é de uma hora e vinte de música porque esse é o tamanho dessa sinfonia. A letra vem de um poema escrito por Friedrich Schiller (um poeta muito famoso) e foi encomendada pela Sociedade Filarmônica de Londres.

Musette em D menor de Bach

Não sei muito sobre ela, só sei que é simples de tocar. Eu queria uma música que uma criança pudesse praticar e uma amiga me recomendou essa.

Sonata ao Luar de Beethoven

Eu gosto de Beethoven, OK? Essa é uma das minhas favoritas. Cristina a toca à meia noite, embora não esteja, tecnicamente, ao luar naquela cena.

Ave Maria de Gounod

A Ave Maria mais famosa de todos os tempos. Cristina toca em um desafio. Eu queria uma música que exigisse bem de uma soprano.

Réquiem em D Menor de Mozart - Canção "Dies Irae"

Haveria um capítulo entitulado "Dies Irae" no livro, mas acabei cortando e colocando as partes úteis em "A Tempestade". É impossível ouvir essa música e não ficar sentado apreensivo na beirada da cadeira. Ela é tão épica que seu cérebro explode toda vez que ela toca (alguns trailers a usam, já que está em domínio público). Amo tanto essa música que talvez eu crie um conto chamado "Dies Irae" só pra usá-la.
A seção de comentários do You Tube está além de qualquer salvação, mas foi lá que vi a melhor descrição dessa música: "Deus deu a Mozart 2 minutos pra fazer algo épico. Mozart fez isso e ainda sobraram 10 segundos."

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Maratona de cinema

Nossa, tem mesmo tanto tempo que não escrevo aqui? o.o

Eu pensei que tinha postado meu artigo acadêmico sobre Agatha Christie aqui. D: Oh, well, fica pra outro dia, porque agora, quero falar da minha jornada pelos filmes clássicos de Drácula. :3

Quando alguém fala em voz alta o nome “Drácula”, é difícil dizer o que vai na mente dessa pessoa. É um dos personagens mais revividos, recontados e reinventados da cultura pop. Embora tenha sido apresentado ao mundo por Bram Stoker no ano de 1897, é seguro afirmar que a maioria das pessoas tem uma figura dele em mente que foi moldada no cinema a partir do filme Drácula, de 1931, com o Bela Lugosi no papel-título. Sendo assim, Drácula não é um, é muitos. Para conhecer esses muitos, decidi assistir aos filmes mais clássicos de Drácula por aí e formar minhas próprias opiniões.

Como tenho uma tirinha que é derivada do livro Drácula, é justo dizer que tenho mais familiaridade com ele do que com os outros retratos do personagem. Toda vez que vou fazer um arco narrativo importante e/ou introduzir um novo personagem, acabo lendo o livro quase todo de novo – já devo ter lido de capa a capa umas seis vezes, e conheço alguns trechos quase de cor. A parte boa é que não é um sacrifício pra mim fazer isso, porque gosto do livro e vim a amar os personagens. A parte ruim é que isso faz com que eu pareça obcecada por esse livro, a ponto de não ter outro assunto. (o que é mentira, também sou obcecada com Agatha Christie).

Antes de mais nada, deixa eu explicar que não sou o tipo de fã que entra em combustão quando o filme desvia meio milímetro do livro. Livros tipicamente contém horas de plot se desenvolvendo, filmes tipicamente dispõem de duas horas e pouco, quando muito. É temporalmente impossível para um filme dramatizar o livro, e um tanto pobre, também. O filme é sempre uma interpretação do livro. Pra mim, existem filmes bons, que contam sua história ou passam bem sua mensagem e filmes ruins, que se perdem no caminho. E também existem interpretações que eu acho legais ou não, mesmo que eu saiba, no fim, que todas são válidas.

Isso dito, acho que vocês vão entender melhor quando eu classificar os filmes - há um componente meu analisando o filme pelo filme, e um meu analisando o filme contra minha percepção do livro.

Quem dispuser de algum tempo pode ser apresentado à minha percepção lendo meu recap do livro aqui e aqui. Se vocês não tiverem esse tempo, vou resumir os traços que creio serem os mais fortes do livro:

No primeiro ato, Jonathan Harker é mandado para a Transilvânia para vender casas ao Conde Drácula. Apesar de ser recebido com gentileza, Harker logo descobre que algo está muito errado com seu anfitrião.
Passando para o segundo ato, o Conde vai para a Inglaterra, onde ataca a melhor amiga da noiva de Harker. Ela tem um noivo e dois outros pretendentes. Um deles, um psiquiatra preocupado com ela, chama seu mentor e amigo, o Dr. Van Helsing. Esse mesmo psiquiatra está estudando um louco, que parece ser profundamente afetado pela presença de Drácula.

No terceiro ato, Mina e Jonathan Harker se juntam ao grupo, que passam a perseguir Drácula até sua morte.

Os personagens mais marcantes são, em um plano mais próximo, o heroico casal Harker (ambos contribuem com seus diários para a narração) e Renfield, através dos olhos de Dr. Seward (outro narrador). Num plano mais alto, Drácula e Van Helsing, como os dois reis que se digladiam no tabuleiro de xadrez que é a trama. Lucy tem um pouco mais de estofo que outros personagens, mas sua vida relativamente curta como narradora tira um pouco de sua força. Arthur e Quincey são quase descartáveis, pelo pouco desenvolvimento que têm. O Dr. Seward tem uma voz própria, mas ele, como Watson, é um personagem que mais reage do que age. Ele começa reagindo a Renfield (e é graças a ele que Renfield ganha cor e importância, assim como Watson glorifica Holmes) e depois se torna o "leal amigo e biógrafo" de Van Helsing. Entre Renfield e Van Helsing, Seward acaba totalmente eclipsado.

Sabe, pensando bem, não é coincidência que Peter Cushing tenha interpretado Sherlock Holmes e Van Helsing. O que faz dele meu ator preferido ever.

Quando eu for comentar os filmes, é contra isso que vou compará-lo ao decidir se gosto ou não da adaptação. Talvez ajude vocês também a entender minhas análises o fato de que meus personagens preferidos são, do mais preferido ao menos: Van Helsing > Mina > Jonathan > Seward > Lucy > Renfield > Quincey > Arthur >>>>>> Drácula (no livro de Stoker, ele é um vilãozão vitoriano, que mata, estupra, coage e engana sem remorsos, é difícil gostar dele).

Ótimo. Passemos pros filmes.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pôneis de novo

É, de novo. Meu blog, minhas regras.

Aprendam um pouco sobre a filosofia dos pôneis vampiros. Já falei de My Little Pony e o Conservatório nesse post. E nesse.

Isso são pôneis de cristal: [LINK] Digam se não são Cullens quadrúpedes.